Corte no orçamento? Corta da Cultura!


O contingenciamento municipal, que afeta todo o orçamento e projetos já contemplados pelo Promic - Programa Municipal de Incentivo à Cultura da Cidade de Londrina, pega artistas, produtores, gestores das vilas e, quem sabe, até a nova Secretária de Cultura e os funcionários da pasta de surpresa.

O problema de um corte como esse, principalmente depois do seu projeto aprovado com determinado orçamento, é a falta de respeito com a classe artística da cidade. Vamos pensar no contrário. Imagine se eu, reles cidadão, resolver que esse ano vou pagar 30% a menos no meu IPTU, porque simplesmente estou fazendo um contingenciamento no meu orçamento doméstico. E mesmo depois de carnê impresso e entregue em meu endereço, ao pagar no caixa do banco, peço: 

- ô mocinha... desconta aí 30%, porque estou contingenciando o meu orçamento!!!

É claro que entendemos que a situação na Prefeitura de Londrina não é das melhores. O prefeito eleito está herdando no mínimo uns 15 anos de má administração pública e um órgão completamente sucateado. Sendo assim, esperamos que a Cultura não seja a única a sofrer  com esse corte (que também aconteceu no início da Gestão de Barbosa Neto, quando perdemos uma grande parte do orçamento da Secretaria e dos projetos para o Esporte). E nem vamos falar em aumento de salários para prefeito e vereadores, heim!?

Pensando friamente, o que não podemos é ficar reclamando e jogando palavras ao vento. Precisamos unir (?) a classe artística da cidade e em conjunto com a Secretaria de Cultura, que teoricamente é o órgão que representa os interesses artísticos-culturais de uma cidade, encontrar uma forma de recuperar esses 30% e conquistarmos outros 30% em prol da CULTURA. 

Precisamos acompanhar de perto o trabalho da Prefeitura e da Secretaria que nos representa. E ao invés de sermos mesquinhos pensando só no MEU projeto, vamos pensar num PLANO/PLANEJAMENTO para investimentos em TODOS os projetos, espaços culturais, espaços públicos que podem abrigar eventos abertos, Festivais de teatro, música, dança, circo e etc. 

O corte de 30% acontece na Cultura, porque sabem que os artistas e produtores vão chorar e espernear, mas no final vão aceitar as "migalhas" e realizar seus projetos da melhor maneira possível. E não estou me colocando fora disso, não. Isso acontece porque acreditamos no que fazemos e colocamos toda energia para que independente das intempéries os projetos aconteçam. A parte ruim é que "eles" sabem disso.

Segundo o prefeito eleito, a ideia é tornar Londrina um "roteiro cultural, cujo público seja atraído por festivais" (JL dom 20/01/2013). Sobre isso reflito: 

Primeiro: temos que mostrar que os Festivais são importantes sim, mas Londrina não é feita só de Festivais! As Vilas Culturais, os espetáculos independentes, reformas de espaços culturais como o prédio da Secretaria de Cultura, Anfiteatro do Zerão, Concha Acústica, Memorial do Pioneiro (?), Centro Cultural do Cinco Conjuntos, Biblioteca Pública, entre outros têm a mesma importância. Os Festivais deveriam ser a "cereja do Bolo" da produção artística Londrinense. 

Segundo: Se o Prefeito quer realmente que isso se torne realidade, é preciso uma coisa simples, INVESTIMENTO!!! Qualidade não cai do céu. Apesar de muitos artistas e produtores fazerem milagres com seus orçamentos. Para criar um "roteiro cultural" será preciso um trabalho sério, com investimento de verdade. Principalmente em Equipamentos Culturais. Enquanto fazemos festa para a "lenda" do Teatro Municipal, temos o Zaqueu de Melo e outros equipamentos que poderiam ser reformados, restaurados, readequados e gerenciados decentemente, abrindo espaço para a produção local e principalmente recebendo o público com a qualidade que ele merece.

E terceiro: Essa é para nós, produtores e artistas. Vamos deixar de ser amadores. Se queremos ser respeitados, precisamos também nos apropriar dos números que os políticos tanto gostam. E mostrar o quanto a cultura gera impacto na economia da cidade. Vamos deixar de lado esse preconceito bobo com números e planilhas. Se você não gosta e quer se dedicar só à parte criativa, então alie-se a alguém que entenda de números. E quando falo de impacto econômico gerado pela cultura, nem estou falando dos grandes festivais. Estou falando da gente mesmo, que produz todo dia, que cria um espetáculo para circular pela cidade. Não basta mostrar quanto tivemos de público ou como é conceitualmente lindo nosso projeto. Isso é importante pra nós. Temos que mostrar também o que esses projetos representam economicamente para o comércio, para costureiras, para gráficas, para locação de equipamentos... ou estou errado?

Nós sabemos a importância de cada projeto aprovado, de cada produção, independente de ser incentivada ou não. Então temos que transformar isso em números e mostrar o impacto que isso gera também na economia da cidade quando cortam-se 30% de projetos que já foram aprovados. E nem estou falando da qualidade do que será realizado. 

Porque se um padeiro for obrigado a  reduzir o preço do pãozinho em 30%, você acha que ele terá a mesma quantidade de farinha??? 

Leia matérias no JL sobre o corte no orçamento da Secretaria de Cultura de Londrina

sexta 18/01/2013              domingo 20/01/2013



Alexandre Simioni
Produtor, Gestor Cultural, Palhaço


4 comentários:

  1. Alexandre, parabéns pelo seu texto. Demonstra o seu compromisso com a cultura e a necessidade urgente de profissionalização do setor.

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  2. Parabéns pelo texto, Alexandre. Sei do seu compromisso com a Cultura e me agrada a sua coerência.

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  3. Oi Yuka e Eloyr! Agradeço pelos comentários e pelo apoio!

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  4. Parabens pela iniciativa Alexandre Fica uma reflexão sobre parte da discução!!!

    Uma coisa é preocupante!!! nesta proposta de ser prioritário os festivais penso que a maior parte dos cidadãos desta cidade fique de fura!!! visto que o nosso mais famoso festival (ao meu ponto de vista) "FILO" tem uma carga de convites limitada pelos espaços que temos e é muito difícil para os as pessoas poderem ir a uma peça bacana se nas primeiras horas de se esgotam varias peças!!! É complicado!!! E com os cortes as peças e outros pequenos projetos que sustentam a vida cultura da cidade nas lacunas entre festivais ficam sem duvida sobre grande risco.

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