FALA PALHAÇO! Aspectos antropomórficos de se tomar um café



Aspectos antropomórficos de se tomar um café
Gerson Bernardes

Quem me conhece, sabe que esse assunto me interessa. Não o assunto, mas o líquido que o permeia mesmo, o café. Chego a acreditar que nem precisa me conhecer, quem sabe que eu existo de alguma forma, sabe que de alguma forma eu gosto muito de café.

Não se trata de uma "qualidade" só minha, obviamente. São muitas as pessoas no mundo que gostam muito de muitos cafés.

Mas duas coisas me fazem querer escrever sobre o tema. Primeiro, porque fiquei pensando se era a minha vez de escrever esta coluna e quando concluí que sim, era, fiquei pensando em que escrever e nada muito legal veio. Segundo, porque enquanto pensava, eu fui fazer café. Ponto.

Cabe explicar uma terceira questão: não quero falar sobre o café especificamente. Quero dizer com isso que com esse tema não quero ficar falando sobre os mais variados tipos de café, e qual acompanha o quê, e quando peço um café num restaurante o garçom vem saca a rolha e eu giro o copo sinto o cheiro e digo que está bom, peraí...enfim, não quero falar disso. Quero falar do café que todo mundo faz, ou pelo menos todo mundo que toma ou quem não toma às vezes faz para alguém que toma.

Mesmo porque gosto de muitos cafés de muitas torras de muitas regiões do país ou do estado ou do município, mas nenhum, nenhum mesmo, pega um bom café feito simplesmente no coador. Meio que se foda e me desculpem o termo se veio do pó de não sei onde ou se ao pó retornará. Sabe aquele café de mãe? De avó? Nada pega um bom café feito desse jeito!

E é esse o ponto onde quero chegar. Isso diz respeito a mim, e ao meu gosto. Mas o café, o simples ato de se tomar cerca de 100ml de um líquido é capaz de mostrar de quantas camadas uma sociedade pode ser feita. Ou seja, somos humanos (?) diferentes até nisso que parece simples.

Eu tomo café, gosto forte, de coador, mas de espresso também, com pouco açúcar, mas com a presença dele, e nunca, nunca de adoçante.

Minha tia neste final de semana disse que começou a tomar café quando começou a trabalhar no correio nos idos do começo do século (brincadeira tia), e desde então (nem sabia que existia) ela sempre toma com adoçante. O açúcar para ela parece que engrossa o café. 

Para o meu cunhado o que vale é um bom espresso, com adoçante, mas acho que toma com açúcar também. Não sei se para ele importa a grossura do café.

Minha irmã já nem do espresso gosta, mas toma o cafézinho normal.

O Alê e alguns outros amigos tomam sem açúcar e sem adoçante, puro purinho mesmo, para sentir o verdadeiro gosto do café, alguns diriam. Um professor certa vez me disse que se eu tomasse sem açúcar eu passaria a ser um apreciador de café e não um viciado em café.

Já o  Tiago gosta mais do açúcar do que de café. A Fer até que toma, mas quase nunca.

O Rafa toma também, mas tem que esperar esfriar. 

A Pati agora toma com mais freqüência e arrumou até uma máquina de café. 

Já ouvi também de gente que coloca meio copo de água e meio de café.

Já ouvi de gente que só toma de ponta-cabeça. Mentira.

Tem gente que toma e não consegue não fumar em seguida.

Tem gente que toma com chantilly, com leite, com espuma do leite, com licor de macadâmia, e o Professor Girafales só entra pra tomar se não for um incômodo.

Enfim...

Tudo isso porque o assunto não é política, religião ou futebol, é só um cafézinho mesmo. Somos diferentes na medida das nossas diferenças, e se é assim para um café, aceitemos que é assim para muitas outras coisas.

E você? Aceita um café?


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