OLHA ISSO! Franja, margem, orla. Da gentileza ao depoimento

Toda quinta, Gerson Bernardes e Alexandre Simioni escolhem um vídeo e compartilham aqui no triolé, sempre com algum comentário, sob a ótica do palhaço.



Lambreta e Mereceu em foto de Isabela Figueiredo

Franja, orla, imagem. Do depoimento à gentileza

Gerson Bernardes

Sobre a arte pública, a arte de rua, acho que ela trabalha, ante a algumas coisas e algumas filosofias, com gentileza.

Assim também acredito ser com o trabalho de qualquer profissional de arte.

Certa vez, em uma oficina de interpretação que fiz em um festival estudantil, o FETESP de Tatuí, ministrada por Moisés Miaskovsky, ouvi uma ideia muito bonita sobre o fazer teatral. Ele nos perguntou sobre o porquê de o teatro resistir a tanto tempo no compasso da humanidade. Questionou-nos sobre o aparecimento de novas artes, novas mídias. É cinema, é rádio, é “treisdê”. Por que o teatro resiste?

Ele conclui, e acredito nele, que o Teatro, dentre as sete e muito mais artes, é a única que é feita de um homem para outro homem. O cinema não é feito por máquinas, mas o elemento humano é intermediado pela projeção, assim como na apresentação musical, o elemento humano é intermediado pelo instrumento, e é ainda mais assim para o “treisdê”. O teatro, o fazer teatral, é feito de um homem para outro homem, na hora. Que se discuta a existência e a quebra da quarta parede e “mimimi”. Em síntese, é de um humano para outro, e ponto.

Acho que, dentre várias coisas, é um ato de gentileza, tanto para o humano que é espectador quanto para o humano que é ator. Eu lhe ofereço algo, e você recebe algo, numa troca humana, que a meu ver é acima de tudo, gentil.

Acho ainda mais gentil o fazer teatral na rua, aquele que se pretende público, aberto a todos aqueles que queiram parar a ver. Dou-lhe a máxima possibilidade de me ver, somente tenha o trabalho de vir até aqui, não tem preço a princípio. Na rua, o “oferecer-lhe algo” é todo amplitude.

O fazer teatral que acredito ser fruto de uma gentileza, em um ato puro, é aquele que é bem feito, que é feito com amor, que é feito com entrega. Desculpem-me a repetição, é aquele ato que é oferta. Este espetáculo realizado por este grupo é, acima de tudo, uma oferta de trabalho, de suor, e amor. Já disse tudo isso aqui no blog e nem me atrevo dizer de novo.

Acredito ainda que não tenha dito sozinho, uma vez que os prêmios estão aí dizendo a toda parte. Tanto dizem que rompem barreiras regionais “nunca dantes rompidas”.

O depoimento no vídeo a seguir foi feito porque faltou gentileza, de alguém, não tenho ideia de quem. Não foi do público, muito menos dos atores, pois a oferta e o acolhimento se veem no vídeo que começa no final do espetáculo.

Sejamos mais gentis. Na vida, na morte, no dia-a-dia. Em específico para com quem está se dispondo a oferecer a sua arte a alguém, para aquele que ao final irá abaixar sua cabeça em sinal de reverência, em sinal de gentileza, à troca havida, momento dentre muitos e esquecidos em que nos lembramos de que somos humanos.

Um comentário:

  1. Poxa, Gerson.. fico emocionado por sua sensibilidade e, agora, só sei dizer obrigado!
    RogérioC.

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