Centenário do Amácio! por Tiago Marques



Amácio desde pequeno, na escola, já decorava poesias e as declamava na frente de todos. Talvez influência do avô, um português violeiro que animava festas no bairro que morava, na cidade de Tremembé, foi ele, João José, o primeiro caipira que o garoto teve contato.

Logo na adolescência começou freqüentar o mundo circense, o que fez sua família manda-lo trabalhar com um tio em Curitiba,para ver se “escapava” da arte! Ao voltar, com 14 anos, o garoto prodígio se envolve com o mundo circense contando anedotas no intervalo do número do faquir. Muitas idas e vindas ao circo aconteceram desse período pra frente.

Se os pais não queriam que o garoto se envolvesse com as artes, de certo modo fizeram da máxima “se não pode vencê-lo, junte-se a ele” valer. Convencidos por Amácio, ingressam na pequena companhia do filho e atuam como atores! Mas sua companhia não prosperava, então ao receber uma herança de sua avó, vai com sua troupe para a capital paulistana.

Em 1946 participa de um programa caipira dominical na radio Tupi, 4 anos mais tarde este programa migra para a televisão, 2 anos depois recebe convite de Franco Zampari e Abilio Pereira Neto (fundadores do Teatro Brasileiro de comédia, o TBC) para participar de seu 1º filme.

Participou de cinco filmes, até fundar seu próprio estúdio. Trabalhou na televisão novamente, produziu, atuou, escreveu, dirigiu, pediu apoio a autoridades para o cinema nacional, foi um lutador. Até que um câncer na medula o levou daqui, no dia 13 de junho de 1981. Somente na década de 90 é que começou a se reconhecido como uma importante figura do cinema nacional, em vida, era atacado ou ignorado pela critíca.

Figura muito importante tanto pela sua persistência na arte, como pelo talento que tinha. Mas o mais importante, e o que me motiva a escrever esse textinho, foi por ser um tipo brasileiro, não negar suas origens, não se deixar influenciar por estrangeirismos, criou um personagem tipicamente brasileiro, emblemático, e que influenciou tantos outros. Soube usar como poucos o universo que observou ao seu redor ainda na infância.

Se vivo, Amácio Mazzaropi completaria 100 anos esta semana (hoje, 9 de abril), mas suas obras resistirão ao tempo, e embora já ignoradas por grande parte do publico, sociedade e pesquisadores, seus filmes continuarão aí para quem quiser ver um caipira ingênuo e ao mesmo tempo malandro.

Seu trabalho é encantador e engraçadíssimo.

Para saber mais visite o Museu Mazzaropi em Taubaté ou pelo site www.museumazzaropi.com.br

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