FALA PALHAÇO! Querido diário?

Toda terça, uma coluna onde Gerson Bernardes e Alexandre Simioni escrevem sobre diversos assuntos, sempre sob a ótica do palhaço.

(em março serão quatro convidadas especiais leia sobre aqui)



Começo observando as coisas que me cercam para buscar um motivo para escrever. Entre tantas coisas, coisitas e coisinhas carregadas de lembranças e algumas - que ainda tento encontrar na memória (e também o que as fez ou quem as trouxe para estarem tão próximas de mim) -, ao invés de respostas, me surgem cada vez mais e mais perguntas.

Neste exercício infindável da memória, deparei-me com um recente presente: uma linda e colorida agenda, na qual resolvi então fazer um diário para preservar minha memória do difícil exercício de lembrar os quês e por quês... Começo essa nova tarefa que me propus:

Querido diário, que difícil tarefa essa de escrever... [e logo vem o senso crítico e observador que me persegue].

Meu diário não é querido, ele é colorido, fofo, um pouco poluído de tanta informação...

Então quando me dei por conta, já estava começando a escrever, mesmo parecendo estranho que eu começasse a escrever assim.

E segui:

Colorido diário, [ah desta forma não parecia suprir minhas expectativas caso eu levasse a fundo esta história de escrever diários...]

Sempre partimos de um modelo, seja ele para a escrita ou para algumas atitudes na vida? E junto com esta dúvida várias outras vieram! Alguns questionamentos parecem ainda me remeter ao universo da literatura infantil, que, descobri apenas hoje, eu ainda não digeri.

Por que tenho sempre muitos porquês separados e nenhum por quê junto? Será que sempre tenho que ter respostas sozinha, é isso??

Adriane Maciel Gomes é formada na UFSM-RS. Mestre em Literatura e Cultura Russa-USP. Professora do Curso de Artes Cênicas da UEL,atua na área de direção teatral e coordena um projeto de ensino em pesquisas sobre o estudo do cômico.

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