FALA PALHAÇO! Apologia à Sócrates

Toda terça, uma coluna onde Gerson Bernardes e Alexandre Simioni escrevem sobre diversos assuntos, sempre sob a ótica do palhaço.

(em março serão quatro convidadas especiais leia sobre aqui)


Apologia à Sócrates

Patricia Nardinelli


Já dizia Sócrates: “Só sei que nada sei”. O que eu não entendia e também não sabia é que essa frase, um dia, faria sentido para mim.

Há algumas semanas recebi um convite, no mínimo, especial: o de escrever neste blog. Tendo aceitado imediatamente um presente impossível de rejeitar, as dificuldades vieram depois. Primeiramente porque como poderia eu escrever algo, sob a ótica de um palhaço, se não sou uma? Não sei.

Há algumas semanas também, ouvi na rádio (desculpem, se eu sou ultrapassada, mas foi na rádio mesmo!) uma leitura de um texto escrito por Max Gehringer que questionava um interlocutor que, olhando pela janela, a ele era perguntado: “Será que vai chover hoje?” e, de acordo com a resposta obtida, ele definia a área de atuação profissional em que a pessoa teria mais chances de obter sucesso.

Eu geralmente escuto a essa rádio, mas nesse dia em especial, fiquei intrigada com a questão que ali foi levantada. Perguntei-me o que eu responderia. E convenhamos que discutir a respeito do tempo e da meteorologia é um assunto muito incomum, principalmente se for abordado no interior de elevadores.

Enfim, se me fosse perguntado “Será que vai chover hoje?”, eu certamente responderia qualquer coisa, e olharia no celular, fingindo estar mexendo em alguma mensagem que não chegava ali para me socorrer, ou então, rezando todos os credos para que o 11º andar chegasse logo.

Eis que a resposta na rádio me surpreendeu.

Aquele que respondesse “não sei”, teria uma boa chance de obter uma carreira de sucesso. Isso porque, de acordo com o escritor do texto e também da pesquisa, de cada 100 pessoas, somente uma tem coragem de responder “não sei” quando realmente não sabe. Os outros 99 sempre acham que precisam ter na ponta da língua, na manga, ou em qualquer outro lugar de fácil acesso, uma resposta pronta, seja ela qual for, para qualquer situação.

“Não sei” é sempre uma resposta que economiza o tempo de todo mundo e pré dispõe os envolvidos a conseguir dados mais concretos antes de tomar alguma decisão. Parece simples, mas responder “não sei” é uma das coisas mais difíceis de se aprender na vida. E a gente geralmente encontra uma resposta ao que antes havíamos respondido “não sei” partindo de um pensamento ou de uma tentativa.

O engraçado disso é que responder “não sei” parece que tem ‘um quê de palhaço’. Sabe por quê? Porque eu não conheço um palhaço que fosse se inibir em responder que não sabe. Porque do pouco que conheço sobre palhaços, sei que para eles pouco importa o que os outros vão pensar se você não souber algo. E isso me fez perceber o quanto os palhaços são, acima de tudo, corajosos.

Se eu cumpri a tarefa que me foi confiada? Não sei. Mas sei que pensei, e mais que isso, aprendi.

*Patricia Nardinelli é bacharel em Direito formada pela Universidade Estadual de Londrina. Estagiária de pós-graduação no Ministério Público do Paraná, trabalha na Vara da Infância e do Adolescente.

4 comentários:

  1. Patricia... Tarefa super-cumprida!!! E mais um palhaço por aqui refletindo sobre esse "não sei". Demais! Parabéns pelo texto! É uma honra pra gente você escrever aqui.

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  2. OOOOO, Mereceu Merecido!!!!! Valeu!!! Sempre que houver o convite, será um prazer!! :o)

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  3. Pati, vc sabe que sou fã do jeito que vc escreve! Adorei seu texto! beijos

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  4. Mandou muito bem! =D

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