FALA PALHAÇO! Até onde vai o conto da carochinha

Toda terça, uma coluna onde Gerson Bernardes e Alexandre Simioni escrevem sobre diversos assuntos, sempre sob a ótica do palhaço.

Lambreta e Mereceu em ilustração de Carlos Nascimento (Nasci)


Até onde vai o conto da carochinha

Gerson Bernardes


Começarei o texto de hoje com uma frase que geralmente vem no final. Todo e qualquer fato narrado no texto de hoje se trata de eventos meramente imaginários, sem qualquer relação com qualquer evento que tenha ou venha a acontecer na vida real, considerando ser vida real tudo o que acontece de verdade, por incrível que pareça, apesar de não vermos, ou vermos e não estarmos nem aí.

Na verdade o texto de hoje, além de se tratar de uma viagem particular de um ser que também não existe, aconteceu há tanto tempo que não há um ser, ou há poucos seres, logicamente também virtuais, pois se trata de uma história inteira fantasiosa, retomo, não há um ser ou há alguns poucos que se lembram dessas histórias fantasiosas pois estas aconteceram há muito tempo atrás, desculpado o pleonasmo que neste caso só reforça o tamanho da distância e o tamanho da fantasia.

Uma outra verdade que precisa ser mencionada é que, por se tratar de uma história fantasiosa, não é possível que tenha acontecido em algum local verdadeiro, portanto, é uma história fantasiosa, acontecida há muito tempo, em um local que não existe.

Imagine você raro leitor deste blog, que por si só não existe também, que há muito tempo em um local que não existe coisas terríveis aconteceram à Cidade.

Não se assuste raro leitor. Por se tratar de uma história fantasiosa, posso dizer que os cidadãos, que também não existem e isso muito se assemelha à realidade, não permaneceram inertes aos desvarios acontecidos com a Cidade que não existe. Afinal, são cidadãos, dotados de voz (como diria o jornal local), nem que seja voz virtual em redes sociais (que no passado já existiam), fruto de muita curtição e compartilhamento.

Um dos eventos aconteceu em meados de maio de há muito tempo, quando dinheiro destinado à saúde foi desviado por duas organizações da sociedade civil, administradas por pessoas que foram presas, investigadas, ouvidas e soltas. A população foi às ruas, os integrantes das organizações ainda são investigados e a população acompanha de perto o desenrolar dessa história.

Um outro evento aconteceu em novembro de há muito tempo, em um feriado, para não incomodar a população. Árvores que incomodavam a população da cidade que não podia passar com suas carruagens pelo centro foram organizadamente e de maneira autorizada retiradas do local. Mais uma vez os cidadãos acompanharam de perto, e ainda acompanham, como se vê nas redes sociais da cidade.

Um terceiro evento foi mais agora para o final do ano de há muito tempo, onde os representantes dos cidadãos na esfera de decisões do Município da Pequena Paris, os vereadores locais, reajustaram as suas remunerações em mais de cem por cento, , e depois tiraram suas merecidas férias. Tudo, como sempre, acompanhado pelos cidadãos da cidade, que ainda acompanham.

A fim de comemorar o belo ano que a Cidade que não existe teve, naquela época o Prefeito da cidade lançou mão de uma artimanha somente bem intencionada sem fins eleitoreiros. Deu, de presente e de mão beijada, o batalhado transporte público, gratuito e de qualidade à parte da população da cidade.

É ou não é uma bela história? Sinceramente, gostaria que não terminasse aqui, mas... ia dizer que não depende de mim, mas depende. E não só, e desde que não seja só. Alguém se habilita a também tentar fazer a história?


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