FALA PALHAÇO! Palhacinho franquia

Toda terça, uma coluna onde Gerson Bernardes e Alexandre Simioni escrevem sobre diversos assuntos, sempre sob a ótica do palhaço

Lambreta e Mereceu em Ilustração de Carlos Nascimento

Palhacinho franquia
Ale Simioni



De tempos em tempos aparecem palhaços na TV, que são como algumas lojas franqueadas: Fazem um baita sucesso, mas não tem conteúdo nenhum. Escondem-se atrás de uns conceitos mais batidos que bife antes de ir para a frigideira, só pra vender o produto: sabe aquelas coisinhas do tipo seja um bom menino, obedeça o papai e a mamãe, etc, etc, etc...


Não me incomodo que eles existam. Sempre acreditei que há espaço para todos. Naturalmente você gosta de coisas que seu vizinho não gosta. Isso é a riqueza da diversidade. Mas o problema é que, quando alguma coisa faz sucesso na mídia, parece que só existe aquele grupo ou aquele jeito de fazer. O público fica tão “hipnotizado” por aquele formato de produção que qualquer outra forma um pouco diferente é descartada antes mesmo de ser apreciada com um pouco mais de dedicação.


Na década de 1980, tivemos um palhaço (franquia de um produtor americano) que fez um sucesso enorme na TV; muita gente se divertiu com o personagem que (com certeza) inspirou a criação do palhaço de cabelos verdes na série dos Simpsons. Krusty é o retrato desses “palhaços franqueados” que vão para a tv, cantam umas músicas com arranjo pobre (para grudar mesmo), lançam bonecos, jogos, quebra-cabeça, aproveitam e fazem apresentações em teatros e circos por todo o país. E o produtor cria uma maquiagem tão densa, que qualquer ator (?) pode estar atrás daquela fantasia, e o objetivo é simplesmente atender a demanda de apresentações ao mesmo tempo em várias cidades.


Incomoda que o principal objetivo desse tipo de palhaço seja o comércio de produtos. O conteúdo está colocado para segundo ou terceiro plano, com muita sorte. Não sou contra ganhar dinheiro com arte, pelo contrário, assim como um padeiro ou um médico ganham dinheiro com sua profissão, o ator deve ser muito bem remunerado pelo seu trabalho que geralmente acontece no horário em que todos estão na sua hora de lazer. E o fato do artista ter prazer no que faz, não é argumento para dizer que ele não precisa de dinheiro, porque se divertir e ter prazer na profissão escolhida deveria ser prioridade de cada pessoa, em qualquer profissão.


Pois bem, o que me incomoda é quando, se tratando de arte, o dinheiro seja colocado em primeiro plano. O conteúdo vem depois, em detrimento ao quanto o produtor quer ganhar. Quando isso acontece temos essa chuva de produções rasas, superficiais, que não acrescentam a nossas vidas. É legal ver “palhacinho franquia” de vez em quando, mas veja também os palhaços que além de te fazer rir, te fazem pensar, às vezes te incomodam ou até te fazem chorar.


Diversifique seu final de semana: leia um livro, assista um espetáculo, viste um espaço de exposições ou alugue um filme daqueles que não vão passar no domingo a noite. Na escola, se possível, fuja do que as crianças já estão cansadas de ver na TV e ouvir no rádio. Esse é o espaço de experimentar, aumentar o repertório cultural do seu aluno. Os “palhacinhos franquia” e as “Apresentadoras/cantoras/atrizes franquia” eles já conhecem e cantam todo dia. Apresente filmes novos, desenhos novos, músicas novas. Dá um pouco mais de trabalho, isso é verdade. Mas o resultado também será incrível





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