FALA PALHAÇO! Dia do Palhaço

Toda terça, uma coluna onde Gerson Bernardes e Alexandre Simioni escrevem sobre diversos assuntos, sempre sob a ótica do palhaço.



Lambreta e Mereceu em ilustração de Carlos Nascimento (Nasci)

Dia do Palhaço

Gerson Bernardes


Eis que foi estranho passarmos a data mais importante do ano em branco. Ou pelo menos, por mais paradoxal que possa parecer, este que escreve não a acha de tanta importância. Explico-me.


A coluna se chama “Fala Palhaço” não por nada. Ela é escrita religiosamente (?!?) toda terça-feira por um palhaço e por um aspirante-a-palhaço.


E sábado, no caso no dia 10 de dezembro, comemorou-se o Dia Internacional do Palhaço! ‘Ói que coisa mai chique’! Entretanto, por conta de estarmos em cartaz trabalhando no espetáculo “Do Cururu ao Tororó”, não postamos nada sobre a data.


Mas um pensamento nesta data me acometeu, e revelo-o somente agora, não falaria isso para outros palhaços em pleno dia do palhaço.


Dentre tantos dias do ano, onde quase todos ou todos são datas de alguma coisa, um dia dos trezentos e sessenta e cinco foi o dia do rock. Neste dia, eu escutava a Rádio Universidade, mais especificamente o programa Trem das Onze. Quando do início do programa, um dos dois apresentadores, quais sejam Jersey Gogel e Rogério Cavalcante não me recordo agora exatamente qual, levantou a hipótese de o próprio rock não ser merecedor de uma data. Não por não ser merecedor no sentido de não ter méritos, muito pelo contrário, mas porque os princípios do rock não se alinham com algo tão institucional quanto se instituir uma data para algo. Ou seja, um só dia não era merecedor de ser chamado de ‘do Rock’.


Então vai meu pensamento: e o Palhaço, assim como o Rock, alinha-se a algo? A graça do Palhaço não é justamente não seguir uma linha, não respeitar o institucional e o institucionalizado de forma a combatê-lo se preciso for, por uma ‘liberdade’?


Meus dois ou três amigos palhaços que agora lêem este texto, uso da frase do Sr. Bolaños e digo ‘tá bom, mas não se irrite’. Aqui a idéia é outra, e por trás de um andar falseado e um olhar pretensamente idiota, a pretensão não é só esta.


Aceito por hora um dia, um singelo dia. Mas aos poucos pegaremos, um a um, todos os que restam. Começaremos com o afamado onze de agosto, depois passaremos para o não menos ‘importante’ dezoito de outubro. Pegaremos até mesmo outro de agosto, o dezenove, para largarem mão de ser bestas.


Até que todo dia seja dia de ser, de estar, de viver e de pensar como um palhaço. Não quero que todos sejam um, isso nunca. Mas quero que aquela liberdade, já citada e conseguida em tão raros momentos, seja de todo dia.


Em tempo: Feliz dia do Palhaço a todos os palhaços que conheço!

2 comentários:

  1. hahaha... parabéns pelo texto Lambreta! Agora, uma correção: a coluna é escrita por dois PALHAÇOS! isso eu tenho certeza!

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  2. dois PALHAÇOS vc tem razão Ale, e deve ser lido por bem mais q dois ou três... obrigado, e parabéns PALHAÇOS

    TIAGO (RITALINO)

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