FALA PALHAÇO! Questionário

Toda terça, uma coluna onde Gerson Bernardes e Alexandre Simioni escrevem sobre diversos assuntos, sempre sob a ótica do palhaço.




Lambreta e Mereceu em ilustração de Carlos Nascimento (Nasci)

Questionário

Gerson Bernardes


Evitei até agora falar sobre isso, apesar de muito desejar.


O problema é o gabarito, mesmo sabendo que para alguém que almeja ser chamado de palhaço com a boca cheia o gabarito nunca deve importar. Primeiro faça, o gabarito é consequência quando não dispensável. Mas em alguns casos, e este não é o assunto do momento.


Estou sofrendo hoje as conseqüências de acontecimentos políticos. Eventos de cunho politiqueiro, felicidades e tristezas de políticas públicas mal/bem/maomenos executadas.


Explico-me: nos últimos cinco dias participei de uma mostra de teatro popular, estive num e presenciei alguns espetáculos de rua, estes que por serem populares questionam a todo o momento; participei de um evento em outra cidade meramente político e organizado de maneira questionável por motivos talvez questionáveis, se é que o ‘talvez’ e o ‘questionável’ cabem na mesma frase ou pelo contrário se potencializam; aplaudi mais um belo trabalho de um belo grupo de teatro local (agora de volta à cidade onde moro) onde o questionar é o sentido de um espetáculo por vir; sofri, aplaudi e questionei o resultado de editais de políticas públicas culturais.


Acho que o sentido do texto é questionar.


Quero questionar a frase do hino do meu país onde se diz que “nossos bosques tem mais vida, nossa vida no teu seio mais amores”.


Quero questionar o tamanho de uma casa popular no norte pioneiro do Paraná, e se quem a ganha pode reclamar se é mal feita ou não.


Quero questionar alguns (não todos) editais objetos e fins de políticas públicas quando estes priorizam produções das ‘capitar’ quando geralmente estas, por serem os grandes centros, já possuem em seu ‘bojo’ uma maior facilidade de execução, além de serem objetos (óia o termo ái tra veiz) de políticas públicas indiretas de uma maneira mais constante.


Quero ao menos poder questionar sem ofender...


Quero saber se tenho questionado o suficiente...


Talvez com as perguntas certas eu possa encontrar a resposta, mesmo que incerta, mas com a qualidade de resposta.


Porque respostas mesmo ainda não tenho, mas to vestindo o meu nariz vermelho para procurar.

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