FALA PALHAÇO! Subverta-se!

Toda terça, uma coluna onde Gerson Bernardes e Alexandre Simioni escrevem sobre diversos assuntos, sempre sobre a ótica do palhaço.

Lambreta e Mereceu em ilustração de Carlos Nascimento (Nasci)

Subverta-se!

Gerson Bernardes

Vou apresentar, em não tão miúdas palavras, o que tentei preparar para o blog, hoje.

Terça é dia de texto, e como no primeiro que fiz, já não me desculpo por usar vídeo. A interação tem se feito necessária, pois imagens tem falado junto de palavras. Não vou cair na velha fórmula de que “imagens valem mais do que mil palavras”. Gosto, e muito, da força destas, e acho que até que mudam aquelas. Mas não se negam, e por isso, uso-as ambas.

O que me pretendo discutir hoje, com texto e vídeo, é a subversão. Muito embora o que acredito ser subversão não deveria ter a sua versão discutida...enfim!

Recorro-me a fórmula dos dicionários, mas apresento “gênero” e as “espécies”. Começo com o significado de versão: Maneira de contar, de interpretar um fato; é uma variante de alguma coisa original. Apresento também conversão: Ato ou efeito de converter(-se) (eu a-do-ro quando vem assim no dicionário), mudar de direção; para mim, mudar de versão.

Subversão, para os dicionários da internet, é a prática de atos subversivos; revolta, insubordinação contra a autoridade, as instituições, as leis e os princípios estabelecidos. Chega a ser bonito “né”, Ernesto?!

Muito se discute sobre subversão quando o assunto é palhaço, chegando a ser qualidade essencial de um bom palhaço ser mestre em subverter. Mas subverter o quê?! O que é subverter? O que é uma boa subversão?

Do trabalho de Conrado Federici, desenvolvido na Unicamp em 2004 (disponível na Internet, de nome De Palhaço e Clown - Que trata de algumas das origens e permanências do ofício cômico e mais outras coisas de muito gosto e passatempo), retirei a seguinte passagem

“O clown vive e é, pois, um tempo extra-cotidiano: diferente: bem mais lento e preocupado com os detalhes da e na vida. Desta maneira, escolhendo as “besteiras”, ignora e deixa momentaneamente de lado valores massificados e sacralizados pelo capitalismo e outros sistemas de poder e opressão, para, oportunamente, descortiná-los(...)A técnica de clown utiliza a leitura destes diálogos dentro de uma lógica diferente da usual: a do absurdo. Instiga, assim, situações de estranhamento dos costumes comuns, os quais, de outra maneira, permaneceriam inquestionáveis e passariam despercebidos na velocidade do fazer parte do mundo de hoje”.

Apoiado no texto acima e num pouco de empirismo, digo que subverter, para a nossa obra inacabada de tentar ser um palhaço, é um tanto quanto diferente do usual conceito do dicionário. Subverter não é ir contra. Uma boa subversão não propõe o combate, às vezes proposto quase que armado.

Com o passar dos anos e por conceitos de sociedade impostos por diversas forças imaginárias de “poder”, aprendemos a conviver com somente uma versão das coisas, e aqueles que desconhecem a versão oficial são prontamente convertidos para que não escapem.

Subverter, pela ótica do palhaço, nada mais é do que apresentar mais uma versão, que frente à oficial pode ser considerada “sub”, menor, mas não deixa de ser mais uma versão. O combate chega a ser desnecessário, pois o que se apresenta é mais uma versão a algum significado, uma outra versão para uma reação. A subversão quando imposta passa a ser somente uma versão.

Uso o vídeo, tentando mostrar a minha versão de subversão (deixando bem claro que a minha versão está pronta para ser subvertida). Subverta idéias, conceitos, e até mesmo reações já vertidas.


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