FALA PALHAÇO! sobre Os Náufragos da Louca Esperança

Toda terça, uma coluna onde Gerson Bernardes e Alexandre Simioni escrevem sobre diversos assuntos, sempre sobre a ótica do palhaço.


Lambreta e Mereceu em ilustração de Carlos Nascimento (Nasci)

Sobre Os Náufragos da Louca Esperança

Alexandre Simioni



Sempre me pego pensando sobre o que vou escrever quando está próximo a minha semana de postagem aqui no Fala Palhaço!. Semana passada não foi diferente. Faço o possível para escrever aqui algo atual e imediato. Algo que estou com vontade de dizer. Algo que gostaria de compartilhar por aqui.


Sexta à noite não tive dúvida, precisava escrever sobre o espetáculo do Téâtre du Soleil, “Os Náufragos da Louca Esperança” que esteve em temporada no Sesc Belenzinho (SP) até este domingo, 23/out.


Capitaneados por Ariane Mnouchkine, a companhia foi fundada por ela na França, em 1964. A partir dos anos 1970 torna-se uma principais no país, não apenas por sua projeção nacional e internacional, mas também pelo número de artistas que abriga na época, mais de 70 pessoas ao longo do ano. Ariane estabelece a ética do grupo sobre regras elementares: os profissionais formam um todo só, todos recebem o mesmo salário e o conjunto da companhia se envolve no funcionamento do teatro como manutenção diária, acolhimento do público no momento do espetáculo, entre outras funções.


E, apesar dos 47 anos de existência, na sexta-feira, 21, quando entrei no espaço criado para a apresentação do espetáculo, lá estava Ariane e dois atores, recebendo o público. Ela mesma passa informações sobre a duração do espetáculo para a plateia e pede gentilmente para que todos se apertem um pouco, porque irá lá fora do teatro salvar uns “náufragos” que estavam ansiosos na fila de espera. E você acha que ela por ter criado a companhia ser a diretora manda alguém lá fora? Nada disso, ela mesma anda de um lado para o outro com vigor, não aparentando seus 72 anos.


O espetáculo foi motivado pelo texto de Julio Verne, Os Náufragos do Jonathan, e é composto por duas narrativas paralelas, momentos anteriores à eclosão da Primeira Guerra mundial, em 1914, quando pessoas facinadas pelo advento do cinematógrafo reuniram-se no sótão de um cabaré para rodar um filme mudo.


As atuações são excelentes, e a impressão em alguns momentos é que estamos assistindo realmente um filme de cinema mudo, e só lembramos que é um espetáculo de teatro porque as cenas do filme são intercaladas pela história principal do espetáculo. As trocas de cenas e cenários são todas realizadas manualmente pelos atores que se revezam (também como no espetáculo Les Éphémères) entre atuação e contra-regragem.


Após três horas e quarenta e cinco minutos de espetáculo, a única ressalva que tenho é para a “arquibancada” em que o público fica sentado. Apesar da preocupação de uma almofadinha, o banco é muito desconfortável, chega uma hora que a bunda não tem mais posição para ficar naquele espaço. Mas essa é uma observação quase irrelevante, comparado ao prazer em assistir uma produção dessa companhia.


Aproveite um pouquinho mais do seu tempo e assista este vídeo do Théâtre du Soleil, com trechos do espetáculo Os Náufragos da Louca Esperança:


CLIQUE AQUI para ser redirecionado para o youtube


* algumas informações obtidas no programa do espetáculo editado pelo Sesc SP

Nenhum comentário:

Postar um comentário