FALA PALHAÇO! Medo de avião

Toda a terça, uma coluna onde Gerson Bernardes e Alexandre Simioni escrevem sobre diversos assuntos, sempre sobre a ótica do palhaço.


Lambreta e Mereceu em ilustração de Carlos Nascimento (Nasci)

Medo de Avião

Ale Simioni


Eu tenho medo de avião!


Mas não é um medinho qualquer, uma sensação de desconforto. É medo mesmo!


Conheço todas as teorias sobre a segurança em voar: Estatisticamente viajar de ônibus é mais perigoso do que estar a 10 mil pés de altura. Racionalmente tenho certeza do que é melhor para uma viagem longa: avião!


Mas fala isso pras minhas pernas. Porque no momento em que eu tenho que pegar um vôo, elas simplesmente não me obedecem. E pior, não SE obedecem. É cada uma pra um lado. Os braços parecem robôs quando entram em curto circuito. Nada pára nas mãos. Tomar água pra acalmar, nem pensar. Vai segurar o copo como? Agora, digamos que eu consiga segurar o copo de água com açúcar que a atendente está gentilmente me oferecendo. Como é que eu vou tomar água com falta de ar??? Não dá pra respirar sem água, imagina com aquele monte de líquido descendo pela garganta... ah, não... deixa pra lá, vou de ônibus mesmo.


Mas nem sempre foi assim, já viajei muito de avião. E o mais interessante é que quando eu consigo embarcar fico tentando demonstrar que está tudo na maior tranquilidade. Nessa situação, já li revista de cabeça para baixo em meio a uma pequena turbulência. Em outra ocasião, soltei um “Uh!”... após uma aterrisagem, achando que o piloto não ia chegar até o final da pista. E só me dei conta que tinha expressado minha angústia, porque a moça que estava sentada na minha frente, olhou para minha cara e caiu na gargalhada.


Agora o mais desesperador é que qualquer coisa pode parecer um sinal para você não estar naquela aeronave, naquele momento:


Meses depois do acidente aéreo com o mamonas, já entrei no avião com aquela cara de quem vai se borrar a qualquer momento, estava sozinho e nitidamente assustado (claro, achando que demostrava a maior naturalidade). Sentei “confortavelmente” em uma poltrona e comecei a sessão de me convencer que todo meu receio é besteira, que em pouco tempo estaria em meu destino, que voar é a melhor coisa do mun...


E quando você acha que está tudo bem, lá vem o maldito sinal: vejo uma cabecinha branca, de uma senhorinha esticar o pescoço pelo corredor para um grupo de simpáticas velhinhas que viajavam juntas, e com aquele sorriso sem dentes, mas cheio de felicidade cantar:


“Mina! Teus cabelo é da hora!”

Um comentário:

  1. E é só por isso que eu acho que a gente tem que apresentar fora do país, ainda não conheço essa cena! É nozes Mereceu!!

    Lambreta!!

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