FALA PALHAÇO! às 3as com Lambreta e Mereceu

Todas as terças, uma coluna onde Gerson Bernardes e Alexandre Simioni escrevem sobre diversos assuntos, sempre sobre a ótica do palhaço.

Lambreta e Mereceu em ilustração de Carlos Nascimento


O Acaso

Gerson Bernardes

Eu sei que nas terças-feiras o combinado é que postemos um texto, e não um vídeo. E tenho toda certeza de que hoje é uma terça-feira.

Este pensei que poderia ser o meu primeiro vídeo, mas no final das contas acabei optando pelo vídeo que está postado na coluna de vídeos até depois de amanhã, que mostra o início do filme “Luzes da Cidade” de Charles Chaplin.

Deixei este vídeo para esta coluna de texto porque ele é curto, mas é uma referência ao meu início e à minha proposta que segue.

A proposta é um tanto quanto autobiográfica, mas vem em um momento em que penso muito nos caminhos da vida, e se é possível fugir ou não deles.

Comecei a pensar em ser um palhaço por acaso, mais sendo do que pensando em ser. Comecei animando festas infantis na cidade de Ribeirão Preto/SP, sendo este o meu ofício durante todo o colégio. O acaso não está no fato de ter sido animador de festas infantis, está no fato de que somente virei animador de festas infantis porque conheci um primo de um dono de uma empresa de festas infantis, empresa esta que tem grande movimento e rotatividade de funcionários no mês de outubro devido à semana da criança, e em uma determinada semana da criança de um determinado ano alguém passou mal e não pode ir trabalhar e acharam o rapaz aqui que agora escreve. Entenderam onde está o acaso? Soma-se a tudo isso o fato de que sempre fiz teatro na escola em que estudei.

Apesar da experiência de fazer sem pensar muito nos porquês da coisa, fui agraciado com a aprovação no vestibular de Direito (?!?) da Universidade Estadual de Londrina, e me mudei para cá, o que não posso dizer se foi acaso ou conseqüência de um ato meu.

Acho que também não por acaso aqui em Londrina existe um ainda grande Festival de Teatro, que não é só de Teatro, mas em seu cerne o é, que é o FILO. E no Filo, foi a primeira vez que pensei que queria ser palhaço, ou a primeira vez que fiquei curioso em buscar saber o quanto dói ser palhaço. Essa sensação me tomou muito forte ao sair de um espetáculo que à época era dos Doutores da Alegria, chamado Inventário. Hoje o espetáculo é apresentado pelo grupo que compunha a trupe carioca dos Doutores da Alegria, e é baseado na relação do palhaço com o hospital, basicamente. O vídeo, pois, é do espetáculo citado e aí está postado pois representa pela primeira vez a minha vontade de mudar o mundo sendo palhaço!

Foi a primeira vez que pensei que poderia mudar o mundo fazendo isto...

Conversas vão e vem, atos pensados mas não agidos, o acaso se fez presente. Estava eu atrás da bóia do R.U. e lá, no mural de vidro de quem entra pelo lado dos funcionários no restaurante (a riqueza de detalhes se faz não por estilo literário, se é que tenho algum, mas por ser uma lembrança forte), vi um cartaz azul com um palhaço careca desenhado com os dizeres “Seleção para o Dr. Palhaço do Sesc”. Eis que conheço o meu hoje parceiro Ale Simioni, e depois de algum tempo parado, como um quadrado no círculo jurídico, volto a pensar e a sonhar que seria dessa forma o meu jeito de mudar o mundo.

A partir daí a história é mais recente, e não menos recheada de acasos...andar mais que isso seria realmente focar no biográfico da coisa, e não no seu verdadeiro sentido intentado: não que eu tenha mudado o mundo, muito longe disso, mas o acaso não mudou o meu? Ou simplesmente me colocou na rota na qual eu já deveria estar desde o princípio? Ou a rota era essa mesma, apesar de tortuosa? Ou não falemos de rotas, e sim de atos e a ausência deles ditando o que virá?

A resposta não dou porque não tenho, e acharia o mundo bem chato se a tivesse. Fico com um pouco de tudo, focado na idéia de que posso mudar o mundo, não inteiro, nem metade, o meu e de mais algumas pessoas, sendo, ou melhor, tentando ser, um palhaço!


Ps: Um grande abraço aos meus primeiros (dentre muitos) mestres, Camille Veloso, Maksym Carão e Alexandre Simioni.

3 comentários:

  1. Lambreta, me orgulho muito em ser seu parceiro! Tenho certeza que ainda vamos fazer muita gente rir por esse mundão afora!

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  2. Se existissem outros mundo tenho certeza que seria por eles tb...É nozes parceiro!!

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