7 de agosto - O mundo ta virado


De autoria e direção de Iradilson Bispo, o espetáculo “O Mundo Tá Virado...” nasceu no ano de 2009, quando da inclusão de músicas e coreografias do Folclore Sergipano, dando-lhe assim um caráter mais lúdico e envolvente.

A dramaturgia do referido espetáculo é baseada e adaptada de folhetos da poesia popular em versos, onde a narrativa épica, característica desse tipo de poesia, é mantida. O primeiro e o último texto, sem títulos, são de autoria de Iradilson Bispo, do Imbuaça. Já o segundo texto “Discussão dum Fiscal com a Fateira”, pertence ao cordelista José Costa Leite. Situações e personagens são apresentadas e contadas pelos atores que se revezam em cena durante a ação dramática. Sem folclorismos ou apologismos ao popular, “O Mundo Tá Virado...” caracteriza-se como uma peça onde o aproveitamento folclórico sobrepõe-se a uma estética hermética e complexa. Isto torna-o leve e agradável aos sentidos de qualquer espectador que dele possa fruir.

Apropriando-se dessa forma de literatura popular numa simples transposição para a linguagem teatral, o Imbuaça brinca com os textos com naturalismo interpretativo, fazendo o público rir como se chegasse a um estado de reconhecimento e até identificação com os tipos e situações apresentadas. Jeitos e trejeitos do ser brasileiro e principalmente nordestino tornam-se caricatural no melhor sentido da vida como ela é. Claro que isto é projetado pela “lente de aumento” da arte de representar.

Para classificar as histórias de “O Mundo Tá Virado...”, recorremos neste caso à classificação de Diegues Junior (1986) para aqui fazermos o enquadramento que se segue.

O primeiro texto diz respeito a um “tema tradicional religioso”, onde seu protagonista resolve profanar algumas crenças do protestantismo. Usando da má fé e da esperteza, o pastor, juntamente com seu filho, usa a religião para convencer as pessoas a dar dinheiro para ajudar a construir uma suposta Igreja. Como castigo, é persuadido e enganado pelo então charlatão Engodo a comprar um “pedaço de terreno celeste”.

O segundo texto, autoria do cordelista José Costa Leite, pode ser atribuído a um “fato circunstancial ou acontecido”. Tem a sua natureza de crítica e sátira, pois os problemas vividos entre feirantes no espaço da feira, quer sejam entre si ou com o poder público, refletem a problemática da sobrevivência e da luta do povo contra adversidades cotidianas.

No tocante ao terceiro texto, o apelo ao exagero é proposital, marcado por um personagem charlatão o “Engodo”, que remete aos apresentadores de programas de auditório. Apelando de forma satírica para um comportamento social, expondo a esperteza do protagonista, juntamente com suas auxiliares, persuadindo uma dona de casa a comprar seus produtos “milagrosos”. Ao final, todos são enganados por Engodo com seu poder de persuasão e muito oportunismo.

Desta forma, O Imbuaça debocha sem pudores das tais situações, dramatizando essas histórias através de um teatro de grande identificação popular. Isto faz ratificar o raciocínio de que “o Folclore revela a mentalidade coletiva, seguindo princípios da Psicologia Social, cujo objetivo é o estudo de um fenômeno social visto em torno das interações entre a consciência dos indivíduos e a objetividade dos fatos” (Almeida, 1974, p.9).

Sendo o Folclore Sergipano a tônica dominante do espetáculo, o grupo utiliza-se de algumas músicas e coreografias do Reisado e do Guerreiro – folguedos populares, pertencentes ao ciclo natalino e encontrados principalmente em alguns estados do nordeste do Brasil como Sergipe, Alagoas, Pernambuco e Bahia.

Com relação à estrutura do espetáculo, o Imbuaça segue basicamente a mesma dos folguedos em questão, com a entrada em forma de cortejo, seguida de desenvolvimento coreográfico e dramático. Executam uma espécie de prólogo, onde são cantadas e dançadas três músicas com muito fôlego e ritmo contagiante, numa verdadeira aula de cultura folk. Segue assim todo o espetáculo e a cada mudança de quadro outra vez a dança e a música folclóricas fazem-se presentes, marcando tempo para os atores entrarem em cena com outra história.

Quanto ao figurino e adereços usados, estes não traduzem com exatidão os dos folguedos. São simples e belas recriações que tomam emprestado as cores fortes e aplicações de fitas, configurando-se em saiotes godês, calças e camisas, confeccionadas em tecidos como duchese, cetim e chitão; referência muito clara ao Folclore. Já o figurino usados na abertura do espetáculo tem uma forte influência da Commedia Dell’art e alguns figurinos usados pelos atores durante às encenações dos textos de cordel trazem o tom popularesco, típico da estética de uma gente comum que mistura o matuto com o brega e o antigo com a vontade de estar na moda.

Festival Palco Giratório Curitiba

Realização: Sistema Fecomércio / SESC Paraná

HOJE (domingo) 11h

Local: Ruínas São Francisco (Largo da Ordem – Praça João Cândido s/n)

Inf.: (44) 3304-2242

* confira diariamente a programação do festival aqui no Blog do Triolé Cultural

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2 comentários:

  1. Mas tem palhaço trabalhando no final de semana!
    Não é a toa que é o melhor parceiro do mundo..
    Dá-lhe Mereceu!

    Ass, Lambreta!

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  2. hahahaha.. é Lambreta, quando a gente gosta do que faz e encontra os parceiros certos!!! Cara, já to fervilhando de idéais pra quando voltar pra Londrina!!!

    abraço
    Mereceu

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