Descoberta Arqueológica

Clown Skull - Vik Muniz


“Os palhaços ou clowns são conhecidos há aproximadamente quatro mil anos; embora muito provavelmente, o primeiro “palhaço” deva ter sido um troglodita gritando de dor, ou contando para os companheiros alguma caçada desastrosa da qual ele participou.” Rodrigo Robleño (palhaço Viralata)

Esses dias recebi essa foto por e-mail do meu irmão, que provavelmente ao ver já lembrou do palhaço aqui. Na mesma hora me veio a cabeça essa frase acima que li em um material do Rodrigo Robleño. Esta imagem pipocou na minha imaginação fértil, diversas origens para esse crânio clownesco: qual seria expressão de Hamlet ao olhar para ele e dizer o famoso “ser ou não ser”? E o palhaço dono dessa cachola, seria um ‘clown-sapiens’? Será que séculos depois da minha morte, encontrarão meu crânio exatamente nesse formato? E por último, Ele tá rindo do que???

Pensei então em aproveitar em escrever um pouco sobre a oringem do palhaço. Claro que de forma bem simplificada, já que por aqui, a gente sabe que é um espaço para leituras rápidas. Em todo caso, no final do texto vou deixar alguma bibliografia interessante sobre o assunto.

Segundo Roberto Ruiz, a palavra clown vem de clod, que se liga etimologicamente ao termo inglês “camponês” e ao seu meio rústico, a terra. Já palhaço vem do italiano paglia (palha) material usado no revestimento de colchões, porque a primitiva roupa desse cômico era feita do mesmo pano dos colchões: um tecido grosso e listrado, e afofada nas partes mais salientes do corpo, fazendo de quem vestia um verdadeiro “colchão” ambulante, protegendo-o das constantes quedas.

Desde sempre, e através dos tempos, inúmeras pessoas se dedicaram a arte de fazer rir. Mas o que é o palhaço? Palhaço e clown são termos distintos para se designar a mesma coisa. Existem sim diferenças nas linhas de trabalho, pois os palhaços americanos dão mais valor à gag, à idéia; ou seja, o que o clown vai fazer tem maior peso. Por outro lado, existe a linha de trabalho dos palhaços europeus, em que se preocupam principalmente com o como o palhaço vai realizar seu número, não importando o que ele vai fazer. Nesse caso são mais valorizadas a lógica individual do palhaço e sua personalidade.

Também existem diferenças que aparecem em decorrência do tipo de espaço que o palhaço trabalha: o circo, o teatro, a rua, o hospital, o cinema etc.  Esse ser mutante, foi se adaptando às transformações do nosso mundo e sempre teve um papel muito importante na sociedade.  Nas festividades religiosas e nas apresentações populares da Antiguidade, havia uma alternância entre o solene e o grotesco. A combinação do cômico e do trágico acentua a percepção de emoções contrapostas e é muito peculiar ao palhaço.

Existem dois tipos clássicos de palhaços: o branco e o augusto. O branco é a encarnação do patrão, o intelectual, a pessoa cerebral. Tradicionalmente, tem rosto branco, vestimenta de lantejoulas, chapéu cônico e se dedica a ludibriar seu parceiro em cena. Nos dias atuais, ele também pode se apresentar de smoking e gravatinha borboleta ou um traje mais “sério”, sóbrio. No Brasil também o conhecemos por escada. Um exemplo da TV e muito conhecido (pelo menos da minha geração) é o Dedé, dos Trapalhões, que fazia esta função para os outros três, principalmente para o Didi.

O augusto (também conhecido por tony ou tony excêntrico) é o bobo, o eterno perdedor, o ingênuo, de boa fé, o emocional. Ele está sempre sujeito ao domínio do branco, mas geralmente, supera-o, fazendo triunfar a pureza sobre a malícia, o bem sobre o mal. No cinema, o ator Stan Laurel, mais conhecido no Brasil como “o magro” da dupla “O gordo e o magro”, fazia o tipo augusto nos famosos filmes da década de 1920 e 1930.

Nos dias atuais, com o grande leque de atuação do palhaço, o branco  e o  augusto não são tão marcantes, e não há necessidade que estejam sempre juntos. Há também uma forte tendência ao trabalho ‘solo’ do palhaço, mesmo em números circenses. Ainda assim, possuem a essência do palhaço:

Os tipos característicos da baixa comédia grega e romana; os ‘bufões’ e ‘bobos’ da Idade Média; os personagens fixos da ‘commédia dell’arte’ italiana; o palhaço circense e o ‘clown’ possuem uma mesma essência: colocar em exposição a estupidez do ser humano, relativizando normas e verdades sociais. (Burnier, 2001, p.206)

Sugestões de Leitura


BARNI, Roberta (org.); SCALA, Flamínio. A loucura de Isabela e outras comédias da commedia dell’arte. São Paulo: Iluminuras, 2003
BOLOGNESI, Mário Fernando. Palhaços. São Paulo: Editora UNESP, 2003
BURNIER, Luis Otávio. Arte de ator: da técnica à representação. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2001
LIBAR, Márcio. A nobre arte do palhaço. Rio de Janeiro: Edição do autor, 2008
PAYASOS SIN FORNTERAS. Site: http://www.clowns.org/

POSSOLO, Hugo. Palhaço bomba crônicas e artigos e Hugo Possolo. São Paulo: Parlapatões, 2009
RUIZ, Roberto. Hoje tem espetáculo? As origens do circo no Brasil. Rio de Janeiro: Inacen, MinC, 1987.
TORRES, Antonio. CASTRO, Alice Viveiros de; CARRILHO, Márcio (colaboração).  O circo no Brasil.  Rio de Janeiro: Funarte; São Paulo: Atração, 1998



Ale Simioni

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